XIII
ENCONTRO NACIONAL DE GEÓGRAFOS
João Pessoa, 2002
A ATUAÇÃO DAS RAÍZES NO PROCESSO DE PERCOLAÇÃO DA ÁGUA
NO SOLO: EXPERIMENTAÇÃO EM
LABORATÓRIO.[1]
BASILE,
Rodrigo Otávio Neri de Campos (Aluno de graduação -
Geografia/GEOHECO-UFRJ)
JANSEN,
Ricardo Cárdenas (Msc.
PPGG/GEOHECO-UFRJ)
COELHO
NETTO, Ana Luiza (Professora Titular e coordenadora do GEOHECO-UFRJ
1 – INTRODUÇÃO:
A ocorrência de movimentos de massa nas
encostas já se tornou uma característica típica do cotidiano de cidades como o
Rio de Janeiro. Todos os anos, sobretudo no verão quando se concentram as
chuvas, deslizamentos nas encostas provocam danos materiais e perdas de vidas
humanas, principalmente da população de baixa renda que, devido ao processo
histórico da evolução urbana da cidade, é impelida a habitar as encostas
íngremes onde o risco de desastres ambientais é maior (ABREU, 1987).
É consenso o fato de que a vegetação
florestal propicia altas taxas de infiltração e favorece o armazenamento das
águas pluviais em subsuperfície. Em nível local, porém, a floresta desempenha
um papel relevante no que diz respeito à variabilidade espacial do processo de
intercepção das chuvas pelas copas arbóreas e serapilheira, promovendo uma
redistribuição da precipitação terminal e, portanto influenciando as entradas
diferenciais de água no solo (Castro
Jr, 1991; COELHO NETTO, 1985 e 1987; Nunes
et al., 1992; Vallejo, 1982). A infiltração da água no solo florestal é
também influenciada pela estrutura do solo, especialmente associada à
ocorrência de macroporos decorrentes de raízes mortas e da atividade escavadora
da macro e da meso fauna que habita o topo do solo e
a serapilheira (Castro Jr.,1991).
Por outro lado as raízes arbóreas
condicionam rotas preferenciais de fluxos d´água no solo, os quais podem
alcançar profundidades maiores e em tempo inferior ao tempo de avanço da frente
de umidade na matriz do solo (Freire
Allemão et al., 1997; Jansen
& Coelho Netto, 1998; Nunes et al., 1991; Silveira
et al., 2001). Nos dois primeiros
artigos citados os autores sugerem que a arquitetura e densidade das raízes
tendem a variar de acordo com a espécie arbórea e seu estágio de
desenvolvimento, podendo ser também influenciada pela geometria da encosta e
materiais de origem dos regolito (coluvio,
saprolito ou rocha alterada). Tais variações
implicariam no comportamento diferencial dos processos hidrológicos das
encostas e, portanto, afetando os parâmetros de estabilidade.
Partindo
desses pressupostos, as pesquisas acerca dos elementos geradores dos mecanismos
de instabilidade de encostas já vêm se desenvolvendo desde longa data. Dentre
estes elementos já se faz notória a importância da vegetação e, mais
especificamente, das raízes no controle dos processos erosivos. Entretanto,
pouco se sabe sobre as funções mecânicas e hidrológicas dos sistemas
radiculares em florestas tropicais de encosta.
Neste
sentido, os estudos anteriormente citados (COELHO NETTO, 1979 e 1985, Freire Allemão, 1997; Freire Allemão et al., 1995 e 1997; Jansen,
1996 e 2001, JANSEN et al., 2000; Nunes et al., 1991 e 1992) destacaram a importância da interação
relevo-rocha-solo-biota e suas implicações na regulagem da hidrologia de
encosta e, por conseguinte, sua relação com o controle dos processos erosivos.
Dentre esses autores, uma série de questões foram direcionadas ao entendimento
do papel das raízes no controle da hidrologia de subsuperfície.
Partindo deste princípio se faz necessário entender
o comportamento hidrológico das raízes como geradoras de caminhos preferenciais
de infiltração e percolação, injetando água de forma mais rápida a maiores
profundidades, o que reduz a possibilidade de saturação das camadas
superficiais do solo, evitando assim, uma possível perda de coesão dos
materiais, o que pode ser traduzido numa maior estabilidade das encostas
(PRANDINI et al., 1976).
Desta forma, experimentos de laboratório foram
conduzidos utilizando um simulador de chuva tipo “formador de gotas” (drop former ou drip screen) -
modelo KUL-Leuven
- e uma caixa experimental (flume), que serve de controle para verificação do
comportamento da percolação da água no solo nas diferentes situações a serem
expostas mais adiante.
Estes experimentos visam modelar os dados
levantados sobre raízes observados em estudos de campo, de modo a ter-se o
controle do sistema simulado, regulando as variáveis de entrada e quantificando
a saída deste, tendo em vista que em campo as condições naturais não obedecem a
situações pré-estabelecidas.
Portanto, dada a importante atuação das raízes no controle dos processos erosivos, faz-se fundamental conhecer os processos através dos quais estas influenciam no comportamento hidrológico dos solos, de modo a contribuir para a criação de referências que consubstanciem as metodologias de avaliação dos projetos de recuperação de áreas degradadas (RAD) que visam a recuperação florestal e o resgate de suas funções hidrológicas que atuam no controle da estabilidade das encostas.
2
– OBJETIVOS:
Objetivo Geral:
A monografia ora apresentada tem como objetivo observar
as variações no comportamento da percolação da água no solo em função da
presença ou não de raízes e dutos verticais (simulando dutos produzidos por
raízes mortas), sob diferentes condições de declividade. Para isso são
realizadas séries de ensaios utilizando um simulador de chuva (tipo KUL-Leuven) e uma
caixa experimental (flume), que serve de controle para verificação do
comportamento da percolação da água no solo nas diferentes situações a serem
expostas mais adiante.
Objetivos Específicos:
·
Verificar se a presença de raízes e dutos altera o
processo de percolação da água através da criação de caminhos preferenciais,
com base em simulações de chuvas sobre uma caixa experimental com condições
controladas;
·
Observar o processo de percolação da água numa matriz
arenosa homogênea e verificar seu comportamento na presença de raízes a partir
de simulações de chuvas sobre uma caixa experimental com condições controladas;
·
Analisar a variação no número de raízes e os padrões
de enraizamento lateral e vertical;
·
Verificar os processos acima mencionados sobre
diferentes condições de declividade da caixa experimental;
·
Comparar os experimentos supracitados com os resultado
encontrados por JANSEN, 2001 em ensaios sobre uma matriz de solo homogênea.
3 – MATERIAIS E MÉTODOS:
O Simulador de Chuvas:
Utilizou-se
um simulador de chuvas modelo KUL-Leuven que, seguindo a descrição
do mecanismo hidráulico que leva ao funcionamento da simulação, serão
consecutivamente explicitados os materiais e instrumentos que compõem o
aparelho.
Através
de uma mangueira a água é levada de um ponto de alimentação (torneira) até um recipiente
(alimentador intermediário), pendurado ao lado do simulador em si. Este
recipiente possui três pontos de conexão, um (superior) que lhe serve de
entrada, o segundo (inferior) pelo qual a água é direcionada para o simulador,
e um terceiro (médio) que serve como ladrão, permitindo que a altura da coluna
d’água no interior do recipiente se mantenha constante (desde que a entrada
vinda do alimentador principal seja sempre maior do que a saída para o
simulador, condição necessária para se ter a intensidade da chuva num valor
constante, e que pode ser verificada pela simples observação de uma saída
contínua de água pelo ladrão).
A
saída (inferior) deste recipiente está conectada à parte superior central do
eixo de uma estrutura de PVC rígido em forma de “U”, que por sua vez
encontra-se presa a uma armação de acrílico.
A
estrutura de PVC rígido consta de um eixo de 60 cm de comprimento, em cujas
extremidades se ligam dois tubos verticais (um em cada extremidade) de 120 cm
de altura. Ao longo da semicircunferência inferior do eixo e por todo o seu
comprimento encontram-se 06 fileiras de 54 furos de 0,5 cm cada, sendo 03
fileiras para cada lado, simetricamente dispostas.
Em
cada furo tubos flexíveis de nylon de
3/16” foram colados com silicone, e à ponta externa de cada um destes tubos
flexíveis de silicone com abertura de
0,2 mm envolvidos por fita teflon na extremidade de junção, permitindo
um ajuste perfeito e impedindo o vazamento indesejável de água[2].
Totalizando assim 324 tubos de saída, que ao fim são os responsáveis pela
liberação em forma de gotas.
Os
dois tubos de PVC verticais tem a função de acumular a água que entra no eixo,
e que não sai de imediato pelos tubos de saída. Assim, a água sobe por estes
até que a coluna alcance uma altura igual à da saída (inferior) do recipiente
alimentador descrito anteriormente (seguindo o princípio dos vasos
comunicantes). Portanto, é a altura da coluna d’água nestes tubos verticais, ou
seja, a altura da saída do recipiente que em função de imprimir uma determinada
pressão sobre os tubos de saída, estabelece a intensidade da chuva simulada.
Esta
estrutura de tubos está acoplada a uma armação em madeira com uma tela na parte
inferior de abertura de 0,5 cm, e dimensão de 65 x 65 cm. Nesta tela são
fixados os tubos de saída, distribuídos simetricamente em 18 fileiras (cada
três fileiras de fixação na tela correspondem a uma fileira de furos no PVC
rígido).
Amarrada a 1,5 m de altura abaixo da saída das gotas há
uma outra tela de 1 x 1 m e de mesma abertura, que funciona para “quebrar” ou
“dividir” as gotas, e assim diminuir ainda mais o tamanho das mesmas além de
ampliar a área de molhamento.
O Flume ou Caixa Experimental:
O
flume consta de uma caixa de madeira de 100 x 50 cm e 45 cm de profundidade. O
fundo é composto por um conjunto de três telas de aço inox com abertura de 5, 1
e 0,5 mm respectivamente, permitindo a sustentação do seu conteúdo (solo e
areia)[3]
com pouca deformação, a passagem livre da água e impedindo a oxidação e
conseguinte formação de crostas.
Presos
ao fundo da caixa encontram-se dois coletores de água de folha de flandres em
forma de funil. Um capta a água correspondente a 70 cm do comprimento do flume,
e o outro os demais 30 cm. Cada um dos
funis direciona a água para um coletor final (garrafa de 2 litros).
Esta caixa experimental
está acoplada a uma base de sustentação de madeira, onde junto à parte com o
funil menor foi instalado um sistema de roldanas e cabo de aço, possibilitando
variar a inclinação do flume.
O Conteúdo do Flume e a Montagem do
Ensaio:
Inicialmente
foi colocada uma camada de 5 cm de areia grossa em toda a superfície do flume.
Em seguida, na parte logo acima ao funil maior (70 cm de comprimento) foi posta
uma camada de 30 cm de solo de textura areno-argilosa
(coletado no horizonte B de latossolo da Floresta da Tijuca) previamente
peneirado em malha de 2 mm de abertura. O espaço correspondente à parte acima
do funil menor foi preenchida com uma camada de 30 cm de areia grossa. Este
último acoplado a um coletor serviu de controle, já que, através de uma tampa
em sua parte superior não recebeu água diretamente do simulador. Isto significa
que a água captada no funil menor corresponde ao fluxo subsuperficial lateral
no solo, pois entre a areia e o solo não há uma barreira física.
Para
evitar o efeito de selagem do solo e formação de crostas, devido ao impacto
direto das gotas de chuva, por sobre o solo foi colocada uma camada de feltro,
cuja alta permeabilidade serve apenas para evitar o impacto, mas não retêm ou
impede a água de infiltrar rapidamente.
No
caso dos ensaios com raízes, estas são artificiais, ou seja, cilindros de
madeira pontiagudos na extremidade inferior que são embutidos no solo.
Numa
segunda fase de experimentos, o flume foi preenchido com uma porção de 5cm de
areia grossa, de modo a evitar o entupimento das telas como dito anteriormente,
e posteriormente foi colocada uma camada de areia fina (coletada na praia de
São Francisco, Niterói – RJ) por toda a extensão do flume. Em cima desta foi
colocado o mesmo feltro visando impedir o impacto direto das gotas de chuva
sobre o material. Para os ensaios com raízes os mesmos cilindros de madeira
pontiagudos foram utilizados. Cabe ressaltar ainda, que mesmo toda a extensão
da caixa sendo preenchida com o mesmo material, a porção do coletor menor foi
mantida coberta de forma a se mensurar o fluxo subsuperficial lateral que por
ele escoa.
OLIVEIRA
FILHO (1987) descreve vários métodos de preparação das amostras, mas o método
utilizado neste trabalho consiste em colocar a areia aos poucos ao passo em que
se vai molhando-na bastante. Isso é necessário para que se alcance uma condição
com um número de vazios mínimo na amostra, deixando-na com o adensamento ideal
para a realização dos ensaios. Se a areia for colocada seca na caixa, à medida
que for chovendo, esta vai se adensando até alcançar seu número de vazios
mínimo e o seu volume seria consideravelmente diminuído. O fato desta já estar
saturada no início do ensaio não representa problema, uma vez que os valores
constantes de infiltração só são alcançados após a saturação e estes são os
dados pertinentes.
As
Diferentes Situações Ensaiadas:
Inicialmente foram ensaiadas três
situações de declividade diferentes: 0º, 5º e 15º, sempre com a porção de areia
a favor do declive nas condições: solo homogêneo (SH), com raízes verticais
(RV) e com dutos verticais (DV) para cada declividade. Foram realizados três
ensaios para cada condição em cada declividade, totalizando 27 ensaios. Os
ensaios têm uma duração média de 3:30 h, quando ocorre uma estabilização dos
valores do escoamento vertical. Para esta fase dos experimentos o flume foi
preenchido com uma porção maior de solo homogeneizado e outra porção (menor) de
areia grossa.
Tabela 1: Síntese das condições
ensaiadas nos experimentos com simulações de chuvas, segundo padrões de
declividade e enraizamento.
Declividade
do Flume
|
Condição
de Enraizamento
|
|
0º |
Solo
Homogêneo (SH) |
|
0º |
Raízes Verticais (RV) |
|
0º |
Dutos Verticais (DV) |
|
0º |
Areia Homogênea (AH) |
|
0º |
Raízes Laterais = 9 (RL=9) |
|
0º |
Raízes Laterais = 12
(RL=12) |
|
5º |
Solo
Homogêneo(SH) |
|
5º |
Raízes Verticais (RV) |
|
5º |
Dutos Verticais (DV) |
|
5º |
Areia Homogênea (AH) |
|
5º |
Raízes Laterais = 12
(RL=12) |
|
15º |
Solo
Homogêneo (SH) |
|
15º |
Raízes Verticais (RV) |
|
15º |
Dutos Verticais (DV) |
|
15º |
Areia Homogênea (AH) |
|
15º |
Raízes Laterais = 12
(RL=12) |
Mensuração das Simulações de Chuvas:
A preparação do ensaio começa com o flume coberto,
de modo que a chuva não atinja o material dentro dele. Então o simulador é
acionado e a intensidade da chuva, em mm/h é medida com a ajuda de dois
pluviômetros feitos com garrafas pet de
refrigerante de dois litros. Uma vez que a intensidade da chuva está regulada
(no caso, em 20 mm/h aproximadamente), o flume é descoberto. Observa-se então o
momento de gotejamento em cada coletor, tendo-se o tempo zero de cada um.
A partir daí, uma garrafa de dois litros é colocada em cada coletor e em
intervalos de dez minutos estas são trocadas e a água coletada é medida com a
ajuda de uma proveta graduada. Os valores são anotados numa planilha onde é
feito o cálculo da proporção do escoamento pelo coletor maior, que representa a
porcentagem do escoamento gravitacional. Este processo ia se repetindo até que
se chegasse a valores constantes de porcentagem de escoamento. Ao fim do ensaio
(que varia normalmente de 2:00h a 3:30h) a intensidade da chuva era medida de
modo a verificar se houve variação significativa. Caso ocorresse, os ensaios
nessas condições eram desprezados.
4 – RESULTADOS E DISCUSSÃO:
Experimentos com solo:
Esta primeira etapa de experimentos consta daqueles
realizados por JANSEN (2001) em sua dissertação de mestrado e serviram de
comparação com os experimentos posteriores (realizados com areia). Para os
ensaios de simulação de chuva na declividade de 0º, os quais serviram de base para
observar a variação frente a mudança de inclinação, observa-se na Tabela 2 que,
como esperado, em todas as condições houve o predomínio de fluxo vertical após
a estabilização do ensaio. Isso ocorre porque em um ambiente plano, onde a
porção do flume preenchida com areia não recebeu chuva, há o predomínio da
percolação vertical. Pequenas quantidades de água que escoaram através da
areia, correspondem à água que percolou junto ao contato areia/solo. Mesmo
assim, pode-se observar que os ensaios com raízes e com dutos atingiram valores
próximos a 99% do escoamento total de água que percolou através do flume,
apresentando superioridade frente aos ensaios sem raízes.
Nos ensaios realizados sob inclinação de 5º, já se pode
observar a atuação com mais ênfase do fluxo subsuperficial lateral, o que
acarretou, conseqüentemente, numa redução da componente gravitacional. A
variação da percolação gravitacional obteve valores entre 20 e 55% e a presença
de Raízes e Dutos Verticais alterou mais significativamente o comportamento do
escoamento, conforme aponta a Tabela 2.
Quando
analisado o comportamento do escoamento vertical nos ensaios realizados com 15º
de inclinação, percebe-se que sob todas as diferentes situações ensaiadas
predominou o fluxo subsuperficial lateral, que corresponde a água drenada
através da areia (sempre valores superiores a 95%). Ao diferenciarmos este
comportamento em função da presença de raízes, de dutos, e da ausência de
ambos, nota-se que o fluxo vertical foi maior quando raízes foram embutidas no
solo (4,1%), ou quando dutos verticais faziam parte da estrutura do solo
(2,6%), enquanto frente à ausência de ambos o fluxo vertical foi praticamente
nulo (1,3%).
Tabela 2: Variação na
porcentagem de escoamento vertical (percolação da água no solo) nos ensaios sem
raízes, com Raízes Verticais e com Dutos Verticais nas diferentes declividades
.
Condições
|
%
do Escoamento Vertical |
Aumento
na percolação da água no solo |
|||
|
Média |
Desv. Pad. |
Variação
absoluta (%) |
Variação
relativa (%) |
||
|
0° Solo Homogêneo |
97.00 |
0.10 |
|
|
|
|
0° Raízes Verticais |
99.01 |
0.04 |
2.01 |
2.07 |
|
|
0° Dutos Verticais |
98.99 |
0.07 |
1.99 |
2.05 |
|
|
5º Solo Homogêneo |
26.24 |
0.47 |
|
|
|
|
5º Raízes Verticais |
48.36 |
1.84 |
22.12 |
84.30 |
|
|
5º Dutos Verticais |
40.89 |
0.10 |
14.65 |
55.83 |
|
|
15° Solo Homogêneo |
1.35 |
0.06 |
|
|
|
|
15° Raízes Verticais |
4.10 |
0.26 |
2.75 |
203.70 |
|
|
15° Dutos Verticais |
2.58 |
0.08 |
1.23 |
91.11 |
|
Experimentos
com Areia:
Foram também realizados experimentos com areia, conforme
discutido nos procedimentos metodológicos, sob declividades de 0º, 5º e 15º,
onde foram obtidos os resultados das simulações nas condições com areia
homogênea (AH) e raízes laterais (RL).
A Tabela 3 abaixo mostra que houve um aumento da percolação
da água pelo coletor maior do flume (fluxo gravitacional), quando comparado com
os ensaios com solo.
As simulações com
raízes laterais (Tabela 3) foram feitas inicialmente utilizando-se uma
densidade de raízes menor do que aquela utilizada nos experimentos anteriores
(9 raízes ao invés de 12). No entanto, em função de permitir uma melhor
comparação com os dados obtidos nos ensaios com solo, voltou-se a utilizar o
número de raízes proposto anteriormente.
Para os experimentos com uma densidade de nove raízes, houve
um aumento relativo de 1.64% na percolação, um valor menor do que o encontrado
anteriormente no solo (2.7%). No entanto, tal resultado pode ser atribuído ao
fato de se ter reduzido o número de raízes, bem como a sua posição vertical
possivelmente ser mais eficientes na criação de fluxos preferenciais do que uma
disposição lateral no flume.
O resultado dos ensaios com 12 raízes laterais (Tabela 3)
foi particularmente diferente do esperado. Ao invés do aumento na densidade de
raízes favorecer uma maior percolação gravitacional (escoamento pelo coletor
maior), o que se verificou é que a maior presença de raízes na condição 0º
aumentou o fluxo subsuperficial lateral e que este foi ainda menor do que
aquele coletado sem a presença de raízes (Areia Homogênea). Isso resultou num
aumento relativo (em comparação com ausência de raízes) negativo. Contudo, em
função do resultado ter sido tão atípico, não se deve descartar a possibilidade
de ter ocorrido algum provável erro durante a execução dos experimentos e isso
ainda merece ser apurado.
Nos ensaios realizados com 5º (Tabela 3) verificou-se um
aumento bastante significativo da componente lateral, o que pode ser associado
à declividade. Porém, observou-se ainda que a variação na percolação quando da
presença de raízes foi mais significativa do que na declividade anterior (aumento
relativo de 20.58%), o que sugere uma maior efetividade do mecanismo de criação
de caminhos preferenciais (raízes) sob uma declividade mais acentuada.
Analisando a Tabela 3 pode-se perceber que a componente
gravitacional é pouco significativa em função da maior declividade (15º).
Entretanto, esta inclinação da caixa também mostrou ser ainda mais atuante o
papel das raízes na criação de fluxos preferenciais, o que pode ser expresso
num aumento relativo bastante significativo do escoamento gravitacional, da
ordem de quase 300%, quando comparado com a condição de Areia Homogênea.
Tabela 3: Variação na
porcentagem de escoamento vertical pela areia (percolação da água no coletor
maior) nos ensaios sem raízes e com raízes laterais nas diferentes declividades.
Condições
|
% do Escoamento Vertical
|
Aumento
na percolação da água na areia (coletor >) |
|||
|
Média |
Desv. Pad. |
Variação
absoluta (%) |
Variação
relativa (%) |
||
|
0° Areia Homogênea |
97.16 |
0.30 |
|
|
|
|
0° Raízes Laterais=9 |
98.75 |
0.20 |
1.59 |
1.64 |
|
|
0° Raízes Laterais=12 |
96.96 |
0.26 |
-0.2 |
-0.21 |
|
|
5º Areia Homogênea |
4.52 |
1.07 |
|
|
|
|
5º Raízes Laterais=12 |
5.45 |
0.14 |
0.93 |
20.58 |
|
|
15º Areia Homogênea |
2.00 |
0.13 |
|
|
|
|
15° Raízes laterais=12 |
7.78 |
0.76 |
5.78 |
289.0 |
|
5 – CONCLUSÕES:
A presença de raízes e dutos na matriz do solo promove um
aumento na percolação da água em direção a maiores profundidades. Este aumento
evidenciou um comportamento diferenciado em função das declividades ensaiadas,
sendo que na maior declividade (15º) ocorreu uma maior variação relativa da percolação
da água, quando da presença de raízes e dutos. Os mecanismos iniciadores das
rotas preferenciais de infiltração parecem atuar com mais ênfase sob maiores
condições de umidade e em declividades mais acentuadas. A formação de rotas
preferenciais de infiltração pela presença de raízes permite uma drenagem mais
rápida do topo do solo, evitando a sobrecarga e o alcance de uma condição de
saturação e conseqüente instabilidade dos materiais.
Os processos
metodológicos utilizados nos experimentos anteriores levaram a pensar no grau
de precisão dos ensaios, tendo em vista que o material utilizado anteriormente
(solo) pode sofrer deformações que mascarem os resultados, bem como a
preparação das condições de enraizamento pode criar pedoturbações que influenciem
os experimentos. Fatores como o vento também se mostraram importantes na
variação espacial da intensidade da chuva, bem como problemas técnicos não
podem ser ignorados. Neste sentido, minimizar essas oscilações se fez
necessário, de modo a aumentar a acurácia dos resultados.
6 –
BIBLIOGRAFIA CITADA:
ABREU, M. de
A., A Evolução Urbana do Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro: IPLANRIO/ZAHAR, 1987.
CASTRO Jr.,
E. de, O Papel da Fauna Endopedônica na
Estruturação Física do Solo e seu Significado para a Hidrologia de Superfície
(Dissertação de Mestrado). Rio de Janeiro: IGEO/UFRJ, 1991.
COELHO NETTO,
A. L., O processo erosivo nas encostas
do Maciço da Tijuca, RJ (Dissertação de Mestrado). Rio de Janeiro: IGEO/UFRJ, 1979.
COELHO NETTO,
A. L., Surface Hidrology and Soil Erosion in a Tropical Mountainous Rainforest Drainage Basin, Rio de Janeiro
(Tese de Doutorado). Universidade Católica de
Leuven, 1985.
COELHO NETTO, A. L., “Overlandflow production in a
tropical rainforest catchment: the role of litter cover”, in Catena, 14: 213-231, 1987.
FREIRE
ALLEMÃO, A. V., Padrões de Enraizamento
Arbóreo nas Encostas Florestadas do Maciço da Tijuca: Subsídios aos Estudos de
Hidrologia e de Estabilidade (Monografia de Bacharelado). Rio de Janeiro:
IGEO/UFRJ, 1997.
FREIRE ALLEMÃO,
A. V., Recarga e Drenagem em Solos
Florestados: o Papel dos Sistemas Radiculares (Dissertação de Mestrado). Rio
de Janeiro: IGEO/UFRJ, 1997.
FREIRE
ALLEMÃO, A. V.; NUNES, V. M.; JANSEN, R. C. e COELHO NETTO, A. L.,
“Distribuição espacial dos sistemas radiculares em ambiente montanhoso
florestal” in Anais do “VI Simpósio de Geografia Física Aplicada”, Goiânia, V-1:
296-301,1995.
FREIRE
ALLEMÃO, A. V.; JANSEN, R. C. e COELHO NETTO, A. L., “Caracterização dos
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RJ”, in Anais do “VII Simpósio de Geografia Física Aplicada”, Curitiba, PR,
1997.
JANSEN, R. C.
e COELHO NETTO, A. L., “O Papel dos Sistemas Radiculares no Controle da
Infiltração no Perfil do Solo: Experiências de Laboratório”, in
Anais do I Fórum de Geo-Bio-Hidrologia. Curitiba
– PR, 1998.
JANSEN, R.
C.; CORRÊA, R. S.; BASILE, R. O. N. de C. e COELHO NETTO, A. L., “Distribuição
dos Sistemas Radiculares Arbóreos e sua Influência sobre a Hidrologia de
Encostas Florestadas”, in Anais do III Simpósio Nacional de
Geomorfologia. Campinas – SP, 2000.
JANSEN, R.
C., Caracterização Física dos Solos nas
Encostas Florestadas do Maciço da Tijuca, RJ: o Papel dos Sistemas Radiculares
(Monografia de Bacharelado). Rio de Janeiro: IGEO/UFRJ, 1996.
JANSEN, R.
C., Distribuição dos Sistemas
Radiculares em Encostas Florestadas e sua Influência sobre a Infiltração
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[1] - Pesquisa desenvolvida no Laboratório de Geo-Hidroecolgia (GEOHECO/UFRJ) sob a orientação da Professora-Doutora Ana Luiza Coelho Netto. Apoio financeiro: FAPERJ, CNPq, PRONEX, FUJB.
[2] - A partir de agora serão chamados de “tubos de saída” este conjunto de tubos de nylon com os de silicone.
[3] - No item seguinte será explicado em detalhe o conteúdo do flume.